Louvor e Gratidão

Lucas 17.15-19

“E um deles, vendo que estava são voltou glorificando a Deus em alta voz;

E caiu-se aos seus pés, com rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano.

E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?

Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?

E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.”

 

A lepra ainda é uma doença terrível, quanto mais naquela época. A visão que o Senhor teve daqueles homens era deprimente. Dez pessoas terrivelmente acometidas por um mal incurável. Uma grande massa de pecados e exclusão social, pois essa era a associação que as pessoas daquele tempo faziam a quem contraía a lepra. Infelizmente, nos dias de hoje, temos acumulado novos tipos de lepra: A da depressão, da solidão, do estresse. Parece pior do que aquele tempo, não é mesmo?

A sua marginalização era tão terrível, que se quisessem se aproximar de alguém, deveriam se anunciar primeiro.

Não dá nem para imaginar a indescritível alegria daqueles homens ao sentir que estavam  curados enquanto caminhavam para se apresentar ao Sacerdote, que comprovaria a sua cura e autorizaria a sua volta ao convívio social.

O texto, porém fala de um fato que chama muito a atenção: Os nove continuaram a caminhar e somente um voltou para louvar a Deus pelo milagre. Justamente um Samaritano, ou seja, um estrangeiro se preocupou em expressar sua gratidão, pois prostrou-se  aos pés de Jesus e começou a glorificar a Deus em alta voz.

 

Naquele tempo os samaritanos eram um povo composto por mestiços e idólatras.

Porque só o leproso samaritanto voltou para agradecer? Justamente o mais discriminado daquele grupo, um legítimo representante da escória social da época?

A explicação pode estar no fato dessas pessoas se arrependerem com mais facilidade. Suas feridas da alma são mais profundas, seu orgulho já foi triturado pelo abandono e pelo desprezo. Tornam-se naturalmente mais prontos para o perdão. Prostitutas, ladrões e assassinos, quando olham para Cristo costumam ter uma conversão sem reservas, pois alimentam uma necessidade mais urgente de mudar sua maneira de viver  do que alguns que vêem em Jesus só uma oportunidade de usá-Lo para buscar a própria glória, fazem-se repentinamente “melhores” e “mais generosos” às pessoas a sua volta. Falam de Cristo mas sua alegria ainda está no mundo. Honram ao Senhor com seus lábios, mas seu coração está longe Dele. (Mt 15:8)

Afinal, o que é pior: Carregar um grande pecado e querer se ver livre dele ou negligenciar vários “pecadinhos”?

Notamos também que desde aquela época, existe um número muito maior de pessoas que recebem sua benção e vão logo para casa, do que as que se lembram de voltar para agradecer ao Senhor. Infelizmente essa proporção de nove curados para um que volta para louvar, não mudou nada.

 

Porque antes de ouvirmos a palavra, cantamos louvores ao Senhor? Para exaltar seu Santo nome, sua soberania sobre tudo, agradecer suas incessantes maravilhas, o seu ininterrupto cuidado com nossas vidas; também para nos aproximarmos mais dele, preparar o nosso coração para suas doces palavras de refrigério, exortação e tantas outras bênçãos que Ele está prestes a nos dar.

É muito triste constatar que Deus é totalmente bondade e o homem totalmente ingratidão.

 

As  pessoas, na verdade, pedem muito mais do que agradecem. O número dos que oram é muito maior do que os que louvam.

É interessante analisarmos o que as pessoas tem pedido. Será que sabem mesmo pedir?

Se você oferecer a elas entre pedir PODER e pedir SANTIDADE o que teria preferência?

Se organizarmos duas filas de um total de 10 pessoas com a escolha entre pedir PODER e SANTIDADE, não se assuste se tivermos uma proporção de 8 ou 9 pedindo PODER e apenas uma ou duas querendo SANTIDADE.

Talvez seja esse o grande problema das igrejas dos últimos dias: Não sabem que PODER é algo da vontade de Deus, quando ELE quer usar alguém e lhe confere um poder temporário para alguma obra que deseja fazer. Lembre-se bem: ELE pode usar qualquer um, já usou até o diabo para abençoar Jó. Portanto ser usado por Deus não quer dizer que seja aprovado por ELE. Aqui cabe um lembrete importante:

Não se iluda com pessoas que tem muita fama de PODER, de “dons magníficos”. Procure saber sobre a vida daquela pessoa se é condizente com todo aquele PODER.

Portanto o PODER não é uma opção nossa. Pertence a soberana vontade do Senhor.

Ser usado pelo Senhor não é garantia de passaporte para a vida eterna.

 

Já a SANTIDADE, esta sim é uma opção através do livre arbítrio e irá definir se viveremos a eternidade ao lado do Senhor ou não.

 

Você costuma parar o que está fazendo para louvar ao Senhor? Fica constrangido que alguém o veja agindo assim? No trabalho uma boa notícia recebida, assim como um aumento de salário, por exemplo, costuma vir acompanhada de pelo menos um “Glória a Deus”?

Há uma frase que diz que “a oração é para o tempo e o louvor para a eternidade”. Sendo assim então, o que é mais importante? O que dever vir primeiro?

Porque será que a vida tem de ter tanto sal e pouco doce?

Louvar com intensidade fará com que o Espírito Santo quebrante o seu coração, tornando-o mais sensível ao entendimento da pregação que virá a seguir.

 

Muitas pessoas que freqüentam a igreja não consideram que o ministério de louvor seja tão importante assim. Acham que a “palavra” tem muito mais valor e crêem mais nela do que efetivamente se dispõem a louvar.

Conhece alguém que chega à igreja só na hora da pregação? Ainda se justifica dizendo que não tem paciência nenhuma “com a música alta e aquela gritaria toda”?

Tem também gente que na hora do louvor, costuma ficar com um olho fechado e outro aberto simplesmente para observar como as pessoas estão se comportando, como estão louvando. Depois do culto gostam de comentar: “Você viu como a fulana canta mal? Deus me livre!, Prefiro ficar calado!”

 

Não fique o tempo todo olhando para ver se a lepra desapareceu de sua pele. Não tenha uma vida preocupando-se o tempo todo se está curado e nunca se lembrar de louvar Aquele que morreu pelos seus pecados!

 

O verdadeiro louvor também tem a característica da individualidade, é só você e o Senhor.

Apenas louve-o a seu modo, com intensidade! Saiba que sua voz, mesmo que seja desafinada, soa como o canto do rouxinol aos embevecidos ouvidos do Salvador!

Sendo o louvor tão importante assim, que tipo de louvor tem saído de sua boca no dia-a-dia?

Então Seus lábios não foram feitos para louvar ao Senhor? O que você diz não deveria subir aos céus como cânticos perfumados de adoração e louvor?

 

Aquele leproso reconheceu imediatamente o que Jesus fez por ele, seu louvor estava impregnado de amor, ele provavelmente disse pra si mesmo: preciso louvar e amar esse homem que me curou! Que aprendamos a voltar rapidamente nossos olhos para o Senhor e agradecê-lo por tudo o que tem feito!

 

No entanto, parece que às vezes quanto mais rápido a benção chega, mais rápido esquecemos  de agradecer ao Senhor.

Se o louvor é para exaltar o nome do Senhor, a gratidão tem a mesma finalidade. Portanto considere o seu valor, afinal de contas você alguma vez se esqueceu de agradecer um presente de aniversário? Quanto mais um milagre ou uma benção do Senhor!

Quando Jesus perguntou ao ex-leproso onde estavam os outros nove, sua resposta foi o silêncio.

Segue uma pergunta silenciosa: Quando alguém chega para falar mal de alguém que você conhece, você também fica em silêncio?

Preservar pessoas de calúnia, intrigas e de se tornarem alvo de mentiras são como louvores silenciosos, porém tão sensíveis aos ouvidos de Deus.

Como a discrição é uma riqueza tão preciosa aos olhos de Deus! É como esconder um tesouro dos homens onde só o Senhor e quem a pratica sabem onde está.

Quem ouve intrigas, fofocas e as retém revela um caráter transformado pelo Salvador! Somente em situações repentinas e inesperadas você mostrará quem realmente é.

 

Em Mateus 12:34 Cristo diz: “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca”

Em Provérbios 6: 16-19   Deus fala de algo terrível, que Ele simplesmente abomina:

Estas seis coisas aborrece o Senhor, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, e língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente. E coração que maquina pensamentos viciosos, e pés que se apressam a correr para o mal. E testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos”.

 

Vejamos como o louvor mudou a atitude daquele homem. Preferiu o silêncio. Sua boca estava ocupada demais para exaltar ao Deus misericordioso, não havia espaço nem tempo para criticar e falar mal dos que não voltaram. Que grande psicólogo o Senhor é! Testou aquele homem para ver se o seu louvor era mesmo com amor e ele foi aprovado com louvor e pelo louvor! Foi a última pergunta que o Senhor fez a ele. Logo depois disse: “Levanta-te, e vai, a tua fé te salvou.” Quem estava louvando com tanta intensidade, agora ouve as doces palavras da salvação!

Como ansiamos ouvir isto da boca do Senhor! Mas, se o Senhor voltasse, por exemplo, na próxima segunda-feira, surpreendendo-o voltando para casa, preso num trânsito caótico, quais palavras Ele encontraria em seus lábios?

 

Finalizamos com a grande lição que aquele homem está nos dando: Deixemos a censura para o Senhor. Não falemos mal de alguém que não fez o bem que se esperava! Recusemo-nos a julgar as pessoas segundo a nossa própria justiça! Que nossos lábios sejam para bendizer e louvar e jamais encontrem tempo para difamar a imagem de ninguém, seja quem for.

Afinal de contas quem não tem pecados, que atire a primeira pedra.

Frase da semana: “Cuide bem da sua integridade, e Deus cuidará da sua prosperidade”.

Referência bibliográfica: “Os milagres de Jesus” – C.H. Spurgeon

Shedd Publicações – 2007 – SP.

 


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