Como servir restos a um Deus Santo através da indiferença

Apocalipse 3: 17-18

Como dizes: Rico sou e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego e nu.

Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.

 

Nesse texto das Sagradas Escrituras temos duas descrições absolutamente distintas:

O que freqüentemente achamos sobre nós mesmos e o que o Senhor pensa sobre nós.

Inclusive nos alerta para que despertemos de nosso orgulho e de nossa cegueira.

 

Complementando nosso estudo sobre o perfil de um cristão morno, acrescentemos outra palavra que tem muito a ver: INDIFERENÇA.

Essa é sem dúvida alguma uma palavra que se identifica muito com a natureza egoísta do homem. Jesus quando disse as palavras acima, mais do que nos alertar sobre nosso orgulho, se preocupou mesmo foi com a nossa indiferença em relação ao reino dos céus.

Podemos perceber também que tais palavras tinham como endereço pessoas que já eram “salvas” e “santas”, ou seja, à Igreja de Laodicéia, que começou muito bem, firme na Palavra do Senhor, mas que por alguma razão, alguma coisa aconteceu: Parecia não pertencer mais a Cristo, estava prosperando muito e não sofria qualquer tipo de perseguição – Isso não lhe parece familiar?

 

É um bom momento para refletirmos sobre o comportamento cristão mundo afora.

Chegamos a uma óbvia conclusão: Os lugares onde os cristãos são mais perseguidos são justamente aqueles onde o panorama social e econômico é mais crítico, onde esses cristãos sofrem perseguições sem trégua e o Evangelho é simplesmente proibido de ser divulgado.

Percebemos que os maiores exemplos de gente que busca verdadeiramente a Deus vêm de países comunistas como a China, ou islâmicos, como o Iraque e Arábia Saudita.

Não é difícil imaginar, portanto, que lugares como o Brasil, por exemplo, onde não vemos essas perseguições, os cristãos tendem a se comportar com mais mornidão, mais “tranqüilidade”. Enfim não é difícil perceber que falta um despertar maior para o Reino de Deus.

 

A verdade é que só conseguiremos mudar de atitude se enxergarmos claramente que não chegaremos a lugar nenhum, muito menos ao Céu, se não mudarmos drasticamente de comportamento se “acordarmos” a tempo de ver que a nossa salvação está indo por água abaixo a cada dia que passa, que o Senhor já nos chamou há um bom tempo a andar novamente com Ele.

Ele nos mostra, amado, que na “mansidão” do nosso conforto só estamos conseguindo negá-lo e deixando de Amá-lo.

Existe uma relação conflitante entre dinheiro, posses e dependência de Deus.

Mesmo quando estamos desempregados e em dificuldades financeiras deveríamos refletir que ainda assim podemos nos considerar “podres de ricos” em relação a outros povos, às tantas pessoas miseráveis sobrevivendo a “duras penas” por este mundo afora, que morrem por inanição todos os dias.

 

Vejamos um texto escrito por um pastor escocês do século XIX, que se chamava Robert Murray:

“Estou preocupado com os pobres, mas estou ainda mais preocupado com você. Não sei o que Cristo dirá a você naquele dia (…). Temo que muitos que me ouvem saibam bem que não são cristãos porque não amam a generosidade.

Doar muito e de modo liberal, não de má vontade, exige um coração novo; o velho coração daria preferência a entregar sua porção vital do que entregar seu dinheiro.

Ah meus amigos! Aproveitem seu dinheiro; façam o máximo que for possível com ele,

Aproveitem o mais rápido possível, pois tenho uma coisa a lhes dizer: Vocês serão mendigos por toda a eternidade!”

 

O que pensar sobre isso?

Que prosperar muito é uma desvantagem muito grande em termos espirituais.

Vejamos o que Jesus disse em Lucas 18: 22-24:

“Ao ouvir isso, disse-lhe Jesus: “Falta-lhe ainda uma coisa. Venda tudo o que você possui, dê o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. ”Depois venha e siga-me.

Ouvindo isso ele ficou triste, porque era muito rico. Vendo-o entristecido, Jesus disse: “Como é difícil aos ricos entrar no reino de Deus”.

Disse ainda que isso é tão difícil quanto um camelo passar pelo buraco de uma agulha, ou seja, impossível. Aí então usa palavras de esperança: “O que é impossível aos homens é possível a Deus”. (V.27).

Foi exatamente isso que aconteceu com Zaqueu, um coletor de impostos desonesto que vendo o Senhor ao longe não pensou duas vezes em subir numa árvore para Vê-lo passar.

 

Deus sempre quer o melhor que temos para oferecer. Deixa isso bem claro que algumas ofertas não são aceitáveis, aquelas dadas com o coração “amarrado” de má vontade,  pelo simples descaso com um Deus que tem misericórdia de seres frágeis e falhos como nós.

Um bom exemplo está na Bíblia, mais exatamente na oferta de Caim ao Senhor (Gn 4:5).

Se refletirmos mais um pouco sobre isso, podemos perguntar: Será que eu estou dando o máximo que posso ou de mim Deus tem recebido somente “as sobras”?

Muitas vezes agimos nos comparando aos outros. Talvez você possa pensar assim: “Acho que os ossos que atiro para o Senhor têm mais carne do que os ossos que os outros atiram”. No final das contas Deus fica com um ou dois pedaços, só porque eu fiquei com a consciência “pesada” se não tivesse ofertado absolutamente nada!

 

Também vale dizer isso para tudo o que envolve nosso relacionamento com Deus:

  • Uma oração resmungada no fim do dia; afinal lembrei-me de orar justamente agora que estou “morrendo de sono”, mas o Senhor compreende, amanhã tenho que “pular” bem cedo da cama!
  • Duas moedinhas de um Real entregues bem lá no fundo da Igreja, de preferência que ninguém tenha visto. Sabe como é, é só para uns pobres coitados, para não dizer que não dei nada hoje, vá buscar Deus!

 

 

 

Com essa vida “corrida” talvez não tenhamos nem tempo para refletir sobre um Deus que é santo e tem o poder de decidir se vamos continuar a respirar ou não. Não diga para Deus “pouco é melhor do que nada”. Na Bíblia inteira ele nos mostra que para Ele é tudo ou nada!.

Esse comportamento também está relacionado à nossa capacidade de amar.

Em Coríntios 13:4-8 podemos ler:

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá.”

 

Experimente fazer o seguinte exercício: Em todas as afirmações sobre o amor, substitua a palavra “amor” pelo seu nome.

Que impressão sobre si mesmo você terá?

 

Concluímos afirmando que Cristo tem que estar presente em absolutamente tudo o que fazemos e pensamos.

Se a vida é um rio, Cristo quer que nademos contra a corrente.

Passe a orar e clamar insistentemente ao Senhor pelo Seu cuidado e Sua misericórdia. Essas atitudes certamente te impulsionarão a ter um relacionamento verdadeiro com um Deus maravilhoso!

 

Por: Marco Aurélio

 

 

*Alguns textos foram extraídos do livro “Louco Amor” de Francis Chan e Danae Yankoski.

 

 

 

 

 


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